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ECONOMIA CIRCULAR, MEIO AMBIENTE E O MECS: Qual Futuro Você Veste?

Atualizado: 10 de jul. de 2022


Nessa quinta-feira, 30 de junho desse nosso ano, o SEBRAE lançou o curso VIVER DE BRECHÒ. Como nós aqui no CCDA estamos sempre antenadxs com ideias boas e empreendedorismo sustentável, fomos nós, eu e a Cel Turbantes, conferir o conteúdo dessa maravilha. Com as presenças estimulantes de André Carvalhal, escritor, design e consultor de moda e sustentabilidade, e Alessandra Alkmim, podcaster e brechozeira , e convidadas especiais donas de Brechós bem sucedidos, o evento foi um desfile de muita elegância, com temas relacionados á economia circular, ao mercado de itens de segunda mão, meio ambiente, sustentabilidade, moda e empreendedorismo . O encontro teve duração de 3 horas e foi realmente muito bom confirmar que o mundo tem muito espaço, potencial e possibilidades para vivermos melhor sem degradar o meio ambiente e nem explorar o ser humano. O uso de roupas e artigos de segunda mão, segundo os números apresentados pelxs palestrantes, tem um potencial de crescimento satisfatório o suficiente para investir nos negócios de brechó e bazar, testar a criatividade e gerar resultados positivos e lucrativos para humanos e natureza. O que já fazemos aqui no Dona Antônia, pois além de sonhar juntxs, desenvolvemos também uma visão de mundo que nos permite colaborar com a sustentabilidade enquanto geramos recursos para cuidar das pessoas.

E pegando a linha de reflexão sobre a produção de vestuários, é sabido que a indústria têxtil tem processos altamente poluentes, que consome alta quantidade de recursos naturais, gera toneladas de resíduos sólidos e problemáticos diariamente descartados no meio ambiente, além do enorme gasto e contaminação das águas do planeta, alta taxa de agrotóxicos, desmatamento, exploração e precarização do trabalho humano, com muitos casos conhecidos análogos à escravidão. Segundo pesquisas atuais, a indústria da moda é a segunda mais poluente do mundo, perdendo apenas para o setor do petróleo. Além da necessidade física e cultural das roupas pelas nossas sociedades, uma das principais responsáveis por esse número foram as famosas fast-fashion. O fast-fashion é um conceito que prevê a produção, o consumo e o descarte de uma peça de roupa em um ciclo constante e muito rápido. A preocupação das marcas e fábricas com os consumidores, passou a ser oferecer produtos atuais e em grande escala, encurtar o tempo de uso dos mesmos sem pensar no impacto ambiental. Como alternativa á Economia Linear surge a Economia Circular que associa desenvolvimento econômico a um melhor uso dos recursos da natureza, investindo em novos modelos de negócios e na otimização nos processos de fabricação, com menor dependência de matéria-prima virgem, priorizando insumos mais duráveis, recicláveis e renováveis. Um novo meio de redesenhar, produzir e comercializar produtos para garantir o uso e a recuperação inteligente dos meios naturais, ou seja, um aperfeiçoamento do sistema econômico atual que visa um novo relacionamento com recursos, população e planeta.

Veja aqui o vídeo sobre Economia Circular > https://youtu.be/AdX-cJAvvz8


Os temas permitiram, que eu e a Cel, durante e após a programação, refletíssemos sobre o que é nossa iniciativa empreendedora aqui do Dona Antônia, o Mercado Comum Social que carinhosamente chamamos de MECS. O MECS é um dos três negócios sociais que o CCDA administra com a finalidade de gerar recursos para a manutenção do espaço e dos projetos que oferecemos à comunidade. Se trata de um mercado de itens de segunda mão, principalmente roupas e calçados, doados por frequentadorxs e parceirxs da Casa. As doações são lavadas, tratadas e então expostas e oferecidas a preço acessível no bazar do ambiente cultural. Nossa loja é composta por estruturas e mostruários artesanais feitos com materiais recicláveis de paletes e restos de móveis. Além de aumentar o tempo útil e o reuso que damos às aquisições, também há o reaproveitamento dos tecidos, trecos e peças danificadas. Tudo vira arte, tapetes, almofadas, bolsas e outros utensílios produzidos por Cel Turbantes e Polly Cristina. Não há resíduos que não encontrem seu destino útil e rentável. Para além de resinificar e reciclar, o MECS oferece uma experiência de bem estar, autoestima e memórias. Às vezes acontece o encontro entre quem desapega e quem adquire o que está exposto e a trajetória da peça é contada por quem a doou. Muitas memórias também são contadas a nós na entrega das doações. Compartilhamos muitos causos engraçados, afetuosos e inusitados com os artigos que passam pelo Bazar. O que é item desnecessário para uns, se torna útil e querido por outros, e toda a renda gerada é revertida em programas de atendimento gratuitos para a comunidade. Diante do sucesso que tem sido, o CCDA decidiu expandir as possibilidades e o potencial do mercado de segunda mão. Com a aquisição de um segundo espaço, proporcionado pelos resultados do MECS, a segunda loja promete mais novidades, sofisticação e soluções inteligentes para fazer a diferença nesse grande globo, sem deixar de lado o empreendedorismo consciente e criativo que cultivamos enquanto equipe e OSC.


Assim como o vestuário, esse movimento da Economia Circular nos permite repensar todo o nosso modelo de consumo e sobrevivência. Não dá para passar a borracha e começar de novo com o planeta Terra, mas assim como muito do que seria descartado ganha uma nova trajetória, alonga sua vida útil e ganha novo sentido, a história pode ser reciclada e transformada em uma nova versão. Uma em que a natureza é responsabilidade nossa e com algum esforço para mudar hábitos, pré-conceitos e desapegar das “roupas que não nos servem mais” podemos desfrutar de um mundo limpinho e confortável sem sacrificar o solo, as águas, o ar, as espécies e nós mesmxs.

Trouxemos desse evento a certeza de que o que fazemos aqui no Dona Antônia com amor, planejamento e cuidado, é parte de algo maior, é um indício de que a sociedade não só almeja, mas está trilhando as rotas para viver com consciência e benevolência, fortalecendo o consumo responsável, pensando meios de bem estar enquanto colabora com a vida e o desenvolvimento de todos os outros seres e culturas. E mais ainda, ao invés de olharmos o problema e nos estacionarmos em culpabilização, desespero e resmungos, podemos achar soluções criativas para que humanidade e natureza se reconectem e reescrevam o futuro da nossa história. Temos, como mente coletiva e com ações individuais, o compromisso de minimizar os impactos negativos que produzimos ,tanto na natureza quanto na sociedade. As espécies estão interligadas, todas tem sua função dentro do grande organismo terrestre, e todas tem seu próprio desenvolvimento na longa evolução das eras. O ser humano faz parte dessa teia e somos habilidosxs em encontrar saídas e em nos adaptarmos. Estamos vendo algo novo surgir a partir de versões antigas; a consciência humana desperta, e o mundo dos negócios, como produto humano que é, já percebeu que chegamos ao limite de aceitar os desvios e atalhos mal feitos em nome de uma falsa qualidade de vida. Somos a espécie capaz de transformar o meio natural e o social. Recebemos da natureza a capacidade de criar caminhos alternativos, desenvolver tecnologias inovadoras e manusear os recursos naturais para nossa sobrevivência, como também para conduzir nossa imaginação a favor do presente e do futuro. Para o mal ou para o bem somos agentes de transformação da realidade, do nosso e de muitos universos que não compreendemos ou não enxergamos e de sistemas naturais com os quais não interagimos, mas que como nós, estão aí sendo vítimas de um modo de vida caro e dos desperdícios da nossa capacidade de agir no mundo. A natureza não sofre sem o ser humano, nós é que não sobrevivemos sem ela. O que nós vestimos, consumimos e os comportamentos que temos expressam não só nossas escolhas individuais, mas retratam em que tipo de sociedade acreditamos e qual mente coletiva predomina sobre a nossa consciência individual. Aqui no nosso MECS nós nos vestimos de responsabilidade, porque #NossoPropósitoÉCuidarDasPessoas e CUIDAR DO PLANETA É CUIDAR DAS PESSOAS.


*Fotos de Karol CCDA







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1 Comment


lana vilela
lana vilela
Jul 09, 2022

Aberto para comentarmos e nos posicionarmos, leitorxs. Tem alguns assuntos que introduzi no texto porque planejo desenvolver no site ao longo das postagens, como consciência coletiva e ação individual, por exemplo. Bjas, gratidão pelo seu tempo.

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