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ECOA, Os Ecos das Histórias Não Ouvidas




O ECOA, Estudo, Conexão e Origem Afro-Brasileira, é o mais novo movimento puxado pelo Centro Cultural Dona Antônia, cujo objetivo é resgatar, apoiar e recontar as histórias dos povos negros, indígenas, ciganos e demais povos silenciados pelo colonialismo e sua contraditória modernidade. Romper o silenciamento histórico e imposto pela visão de mundo do homem branco ocidental ou na linguagem acadêmica , o eurocentrismo, é uma tarefa que vem sendo executada de geração em geração através das histórias orais das avós, dos cantos, lendas, provérbios, rituais, hábitos e manifestações culturais que sobreviveram á política colonial.

Desde que decidiram que o mundo teria uma única versão dos fatos e um só modo de vida que garantisse que o domínio político, cultural, social e econômico estivesse sempre nas mãos de uma supremacia branca, uma elite apoiada por ganância, armas, ciência e religião, foi no decorrer dos séculos, quem ditou nosso modo de viver, amar e rezar. E para quem acha que isso ficou no passado, talvez devesse dar uma olhada mais profunda na realidade que nos rodeia.

O ECOA é um movimento apoiado por pessoas e entidades que acreditam que " todo dia é dia de índio" e que "consciência negra" não se resume nas manifestações culturais do mês de novembro. A premissa é que consciência negra é, acima de tudo, uma compreensão do mundo físico, mental e espiritual, que mais que romper preconceitos, emancipa e enriquece a mente coletiva. Tivemos nosso primeiro encontro nesse 13 de maio no quintal do CCDA, e entre trocas de experiências e reflexões, notamos que o ECOA dialoga com um movimento acadêmico mundial conhecido como Pensamento Decolonial, que dentre outras ações, se propõe a coletar, entender e divulgar os outros modos de vida, narrativas, costumes e saberes que ficaram fora dos livros de história e dos registros oficiais durante as invasões, apropriações e extermínio de povos, terras e culturas relegadas à categoria de bárbaros e selvagens, retirando das populações colonizadas a autonomia sobre seus territórios, seus recursos naturais, seus corpos, seus modos de trabalho e também suas crenças. Segundo esse movimento, que abrange o oriente, África e América Latina, a colonialidade se perpetua a partir dos resquícios deixados nos costumes e mentes dos povos colonizados. Essa imposição do "olhar do colonizador" foi possível devido a uma estratégia de globalização que sustenta a base do sistema capitalista e que se desenvolve apoiado por conceitos como "colonialidade do poder", "colonialidade do saber" e "colonialidade do ser". Mas isso é conversa para outro texto.

O Brasil é uma mistura de tudo e dos muitos que foram colocados à margem da história. Na literatura decolonial é uma condição chamada de subalternidade ( subalterno - Aquele ou aquilo que está numa posição inferior). Como prova dessa opressão cultural no nosso solo tropical, mesmo depois da aclamada "independência do Brasil" temos os registros da proibição das línguas nativas africanas e o não reconhecimento das línguas indígenas como idiomas brasileiro, a própria criminalização da capoeira, perseguição a religiões de origem indígenas e africanas, e séculos e séculos de uma versão cristã da criação do mundo como verdade absoluta e incontestável. Sendo ainda bem rasa em um estudo que é muito mais profundo e amplo, as vozes que não têm vez nem poder, nunca estiveram caladas, são apenas ignoradas porque continuamos reproduzindo um discurso que se quer hegemônico e que justifica até hoje as barbaridades praticadas em nome de uma modernidade inventada que nunca beneficiou de fato a maioria da população mundial.

A proposta do ECOA se aproxima do pensamento decolonial a medida que visa a emancipação dos indivíduos a partir da sua própria história, do conhecimento de suas raízes e da escolha de suas crenças. E indo mais além, para quebrar a hegemonia e negar a homogenização forçada em nossas sociedades, se faz necessário reconhecermos e acolhermos as diferenças, não só como uma proposta de justiça e harmonia social, mas como esperançosa política para que as gerações futuras tenham melhores e mais amplas perspectivas do mundo.

O ECOA se propõe combater o racismo todos os dias e a desenvolver atividades durante todo ano, contando com um planejamento que inclui arte,pesquisa,programas e projetos emancipatórios que compõem a programação dos eventos promovidos pelo Dona Antônia, dentro e fora do espaço, assim como rodas de conversa que já têm datas e locais definidos. As rodas se alternam entre os espaços da Faculdade UNA Betim e Centro cultural Dona Antônia. Confira nossa agenda abaixo:

08 de junho - Roda de conversa UNA

16 de julho - Roda de conversa Dona Antônia

10 de agosto - Roda de conversa UNA

17 de setembro - Roda de conversa Dona Antônia

05 de outubro - Roda de conversa UNA

05 de novembro - Roda de conversa Dona Antônia

Para acabar com desigualdades e promover harmonia social é importante expandir a mente e as possibilidades dos sujeitos sociais, e tal ambição só é alcançada mediante o trabalho conjunto da comunidade em torno das demandas e das opções que podemos alcançar coletivamente. Venha sonhar esse sonho conosco e se abrir a um mundo onde acreditar e cuidar das pessoas é se tornar grande junto com elas, porque, #ComoDiziaDonaAntôniaSóCresceQuemSonha.

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